sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Globo Repórter: Israel paradisíaco e Árabes atrasados é a realidade?

Esta noite, o programa "Globo repórter" mostrou uma visão preconceituosa sobre o Oriente Médio e demonstrou grande desinformação ou informação tendenciosa. Eu considero que o tom demonstrou mais a tentativa de desinformar do que um erro da produção.


Os países árabes foram mostrados como atrasados, áridos, que destruíram seu meio ambiente, enquanto Israel foi mostrado como um grande paraíso ambiental. Em momento algum foi mostrado o que este Estado faz em relação ao controle da água na Cisjordânia ou Israel. Falaram sobre um Rio Jordão quase seco, mas esqueceram de dizer que Israel quer tomar todo o seu vale. Se o rio está tão seco assim, porque Israel quer dominar o vale inteiro? Falaram sobre o deserto de Negev como uma benção construída pelo Estado de Israel a partir de um deserto onde não havia "nada" mas esqueceram de dizer que num deserto há formas de vida adaptadas a falta d'água. Sem contar isso, não citaram as expulsões das populações de beduínos em Negev pelo Estado de Israel.

O programa citou a produção de frutas e hortaliças em estufas em pleno deserto, mas não citou ou explicou que esta produção é feita por palestinos que recebem um salário inferior aos salários pagos aos cidadãos israelenses. A produção destina-se ao mercado europeu, mas o programa não citou que esses produtos sofrem boicote, especialmente na Inglaterra.

Custo a acreditar que tamanha demonstração de desinformação seja fruto somente de um erro de mais um jornalista sofrendo do mal do "ocidentalismo" inerente a alguns diplomatas como Luís Felipe Lampreia, que acredita piamente que os "valores ocidentais" sejam fundamentais para o progresso para o Oriente Médio.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A bandeira maior de um povo nem sempre fica no mastro


Na tradição palestina, el koffieh tem sido usado tem sido usado como touca pelos homens. O material de algodão é utilizado principalmente para manter a cabeça protegida da poeira pesada e areia, e para os agricultores se protegerem do sol enquanto trabalham em seus campos. O padrão de xadrez faz referência a muitas coisas: uma rede de pesca, um favo de mel, a união das mãos, ou as marcas de sujeira e suor varridos da testa de um trabalhador.

Durante a revolta palestina em 1930, os palestinos usavam o koffieh como um símbolo de nacionalismo e resistência contra o crescente domínio britânico e a colonização sionista na Palestina. Em seguida, foi adotado pelo líder palestino Yasser Arafat já na década de 1960 e continua até hoje a ser um símbolo tradicional de resistência da Palestina.

koffieh preto e branco tem sido costumeiramente referido como a bandeira "não-oficial" da Palestina. Infelizmente, atualmente e, em função da disputa entre os partidos políticos Fatah e Hamas, muitos associaram os uso de koffieh preto e branco com o Fatah e o koffieh vermelho e branco com o Hamas (historicamente, o koffieh vermelho e branco foi associado com o Jabha ou FLP). Esta associação não foi aceita por todos os palestinos, que acreditam ser o el koffieh um símbolo para toda a Palestina. No entanto, em muitos casos, você não pode sair à rua sem vestir um koffieh.

O descuido dos palestinos sobre o uso do koffieh acabou tornando-o um alvo fácil para que fosse usado como acessório da moda (?)  no Japão, Estados Unidos e grande parte da Europa. Muitos, se não todos os portadores deste traje, são completamente ignorantes do verdadeiro significado de um koffieh. Em Israel, seu uso é costumeiramente associado a um terrorista.

Aqueles que acreditam entender o verdadeiro significado de um el koffieh o tem usado como sendo "anti-semita" ou uma "declaração política de apoio ao terrorismo islâmico contra Israel". Mal sabem eles que a "única democracia no Oriente Médio" usa todos os meios de guerra psicológica como uma arma para interromper a história e a cultura de uma população inteira submetida à sua ocupação militar.

Com o tempo, as pessoas passaram a usá-lo sem entender o seu significado, somente compreendendo-o pelo seu uso estético. Os mercados foram inundados por estes acessórios sem sentido, e uma convocação para boicote logo foi iniciada pelos mais conscientes. No entanto, até o dia de hoje, o rosa vulgar ocasional ou o azul "koffieh" pode ser visto sendo usado por palestinos que preferem usá-los para combinar com seus sapatos ou bolsas sem conhecer seu verdadeiro significado. O uso estético, até por palestinos, está certo?

A Fábrica Têxtil Herbawi, localizada em Hebron, é o único produtor original koffieh em toda a Palestina. A fábrica foi fundada em 1961 por Yasser Herbawi. Ele entregou a fábrica a seus filhos e um amigo da família, Abidi Keraki, e promete que ela será sempre de gerência familiar. "É [ el koffieh] nosso passado, nosso futuro...significa tudo", diz ele.

A ironia da situação é que, enquanto a popularidade do koffieh aumenta, as vendas da fábrica diminuíram drasticamente. Devido a importações mais baratas e de qualidade inferior da China, as vendas da fábrica estão caindo pela metade. Após os acordos de Oslo, estas importações foram inundando os mercados desde a década de 1990. Mais de 70% das vendas da Fábrica Têxtil Herbawi são de koffieh preto e branco originais, e os coloridas estão sendo vendidos apenas como um acessório de moda para manter a fábrica em funcionamento.

Infelizmente, Yasser Herbawi não se opõe ao mercantilismo moderno do koffieh. No entanto, ele afirmou que "o koffieh é uma tradição da Palestina e que deve ser feito na Palestina. Devemos ser os que fazem isso".

A fábrica é a "única e a última" a produzir o koffieh na Palestina. A única a produzir ainda o símbolo de resistência da cultura Palestina. Esperemos que o velho fabricante só morra depois de esclarecer aos jovens o verdadeiro sentido do orgulho palestino entorno do pescoço. Ainda que seja usado por muitos somente com sentido estético, nas mais variadas cores, que seu uso seja o símbolo de um povo que luta para continuar existindo. E que este símbolo continue a ser um sinal de desafio aos ocupantes ilegais das terras palestinas, que pensam poder apagar o passado e a existência do povo Palestino.