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| Protesto em frente ao Cemitério da antiga vila de Deir Yassin, hoje subúrbio de Jerusalém, e ocupada por um parque |
Há sessenta e seis anos uma vila palestina sofria ataque de tropas sionistas, com mais de 100 mortos entre mulheres e crianças, transformando-se no mais emblemático exemplo do massacre sofrido pela população palestina. A notícia do terror provocado pela morte de seus habitantes e propagado pela vilas vizinhas e por toda a Palestina ajudou a provocar uma saída para fora do recém-criado Estado de Israel e a criar o problema dos refugiados palestinos.
Agora, uma simples manifestação convocada pela organização israelense Zochrot, tentou relembrar o ocorrido no mesmo espaço ocupado pela antiga vila palestina. Se não há mais palestinos no mesmo espaço, há ainda alguns resquícios de sua existência, mesmo que ocupadas por hospitais israelenses ou por um parquinho público ou seu cemitério quase totalmente coberto por um parque florestal.
Deir Yassin não foi a única vila massacrada, mas se tornou exemplo do massacre sofrido por palestinos em função da brutalidade e até da neutralidade da própria vila em relação às vilas judaicas próximas, como é evidente em depoimentos. "Antes do massacre, estávamos em bons termos com os judeus em Givat Shaul (vila judaica). Nós compartilhávamos alimentos, comemorávamos juntos (...). Havia paz aqui antes. Os sionistas vieram e destruiram tudo", afirmou Dina Elmuti, neta de uma sobrevivente.
A manifestação tinha objetivo de chamar a atenção da sociedade israelense para um dos maiores massacres que ajudaram a criar o Estado de Israel e ajudar a não deixar cair no esquecimento tal atrocidade.
Ainda que pequena, a manifestação sofreu oposição de alguns cidadãos israelenses, mas apoio de outros, o que demonstra o quão contraditório pode ser algumas passagens da História recente tanto da população israelense quanto palestina. Atacada em 1948, continua ser atacada nos dias de hoje, seja na negação do massacre, promovida por alguns historiadores sionistas, seja por ataque ao cemitério da antiga vila, promovido por vândalos. Ainda que atacada no seu corpo ou sua memória, Deir Yassin deverá sempre ser lembrada para que casos iguais não ocorram jamais.



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