sexta-feira, 11 de abril de 2014

Rememorando Deir Yassin

Protesto em frente ao Cemitério da antiga vila de Deir Yassin, hoje subúrbio de Jerusalém, e ocupada por um parque


Há sessenta e seis anos uma vila palestina sofria ataque de tropas sionistas, com mais de 100 mortos entre mulheres e crianças, transformando-se no mais emblemático exemplo do massacre sofrido pela população palestina. A notícia do terror provocado pela morte de seus habitantes e propagado pela vilas vizinhas e por toda a Palestina ajudou a provocar uma saída para fora do recém-criado Estado de Israel e a criar o problema dos refugiados palestinos.

Agora, uma simples manifestação convocada pela organização israelense Zochrot, tentou relembrar o ocorrido no mesmo espaço ocupado pela antiga vila palestina. Se não há mais palestinos no mesmo espaço, há ainda alguns resquícios de sua existência, mesmo que ocupadas por hospitais israelenses ou por um parquinho público ou seu cemitério quase totalmente coberto por um parque florestal.

Deir Yassin não foi a única vila massacrada, mas se tornou exemplo do massacre sofrido por palestinos em função da brutalidade e até da neutralidade da própria vila em relação às vilas judaicas próximas, como é evidente em depoimentos. "Antes do massacre, estávamos em bons termos com os judeus em Givat Shaul (vila judaica). Nós compartilhávamos alimentos, comemorávamos juntos (...). Havia paz aqui antes.  Os sionistas vieram e destruiram tudo", afirmou Dina Elmuti, neta de uma sobrevivente.



A manifestação tinha objetivo de chamar a atenção da sociedade israelense para um dos maiores massacres que ajudaram a criar o Estado de Israel e ajudar a não deixar cair no esquecimento tal atrocidade.



Ainda que pequena, a manifestação sofreu oposição de alguns cidadãos israelenses, mas apoio de outros, o que demonstra o quão contraditório pode ser algumas passagens da História recente tanto da população israelense quanto palestina. Atacada em 1948, continua ser atacada nos dias de hoje, seja na negação do massacre, promovida por alguns historiadores sionistas, seja por ataque ao cemitério da antiga vila, promovido por vândalos. Ainda que atacada no seu corpo ou sua memória, Deir Yassin deverá sempre ser lembrada para que casos iguais não ocorram jamais.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Nem correr eu posso?

www.bbc.co.uk
Não bastasse o controle sobre a terra palestina imposto pelo exército de Israel, impedindo a livre circulação dos cidadãos palestinos, transformando a Faixa de Gaza no maior campo de concentração do mundo, agora querem impedir até um atleta de competir na única maratona realizada em território palestino.

Nader Al-Masri, atleta palestino de 34 anos, que representou o país nas Olimpíadas de Pequim, agora foi impedido de participar da Maratona da Palestina no próximo dia 11 de abril em Bethlehem (Belém). Vivendo em condições adversas dentro da Faixa de Gaza, com parcos recursos para treino, como falta de pistas e local de treino, além da impossibilidade de receber de fora os tênis dos quais precisa, ele agora não pode nem competir fora de Gaza.

Assim como os tênis que usa nos treinos, que precisam durar mais que o necessário, sua vontade de competir na Maratona da Palestina também tenta durar mais um pouco. "Tenho só mais dois ou três anos antes de me aposentar". O seu problema é que não se encaixa em nenhuma categoria permitida para saída de Gaza pelo exército de Israel.

Seu recorde pessoal na meia-maratona é 1 h 04 min 53 s (Amman - 2006). Não pode ser considerado uma marca de grande expressão internacional, mas demonstra que teria condições de conseguir um tempo estimado na maratona entre 2 horas e 10 min e 2 horas e 14 min, o que poderia garantir não somente o recorde palestino da maratona, mas também o recorde entre atletas palestinos e israelenses, já que o recorde israelense é 2 hs 14 min 21 seg.

Al-Masri apresentou uma petição junto a Suprema Corte de Israel solicitando autorização para competir, que foi negada com a alegação de que não constitui "um caso humanitário...relativo a tratamento médico urgente". Se não pode competir pelo seu país na única maratona palestina, que a imprensa israelense insiste de chamar somente de Maratona de Bethlehem, ao menos resta sobreviver à ocupação israelense, dia após dia, um pé depois do outro, um quilômetro após o outro.