terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Por quem eu choro?




Em Paris, a população local protestou no último domingo contra as mortes dos jornalistas do jornal francês "Charlie Hebdo" por radicais em função de charges publicadas que ridicularizavam a religião muçulmana e mais especialmente a figurão de Maomé. Em várias cidades do mundo, outras manifestações ocorreram tal como no Rio de Janeiro. Jornalistas, cidadãos franceses, correspondentes estrangeiros e a população em geral manifestou-se em apoio aos mortos e em repúdio à violência perpetrada.
Mas fica uma dúvida no ar. Quais mortes podem causar indignação e mover multidões contra seus algozes? Quais vítimas merecem homenagens? E quais podem ser esquecidas pela mídia? Enquanto o mundo se comove pelos 12 jornalistas, nada ou quase nada aparece sobre as mortes na Nigéria (mais de 2.000), pouco se fala dos mortos pelo Estado Islâmico e aguerra na Síria, nada mais se fala sobre as milhares de mortes causadas pela ofensiva israelense na Faixa de Gaza (chego a duvidar que existiu, em função do esquecimento jornalístico e político). Será que a morte de cidadãos de países distantes do umbigo europeu não comove a imprensa mundial e opinião pública ao ponto de motivar manifestações tão volumosas?
É difícil não considerar o egocentrismo europeu, e um desprezo pelos estrangeiros, especialmente quando comungam uma religião pouco compreendida e muito carregada de preconceitos. Mas ainda assim o tratamento diferenciado da imprensa e opinião pública é estarrecedor. Sem contar o fato de sempre haver um excessivo uso de termos como "fundamentalistas islâmicos", "eterna região de conflitos"quando tratam genericamente da região do Oriente Médio (como se a maioria soubesse  diferença entre Afeganistão, Líbia, Síria e Egito, ou como se tudo fosse Oriente Médio). Prefiro evitar termos que não correspondem à realidade ou que ajudem a alimentar o preconceito. Mas só gostaria de poder saber por quem eu choro a morte ou por quem eu levanto um cartaz de indignação. Enquanto isso, prefiro escrever sobre aqueles que não tem voz ou vez.

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