É notório que a velocidade em que uma notícia é publicada no exterior difere do noticiário no Brasil, assim como a recíproca é verdadeira. Mudou muito nos últimos anos, principalmente em função da velocidade da internet. Mas temos que admitir que algumas notícias podem ter uma velocidade mais lenta de publicação em função do receio da falta de credibilidade das fontes (ou dados escassos), da menor importância da notícia ou da complexidade do tema.
Ainda que admitindo todas essas variáveis, a notícia sobre o acordo comercial da atriz Scarlett Johansson com a empresa israelense SodaStream demorou uma semana para ter ressonância na grande imprensa brasileira. Somente na quinta-feira e sexta-feira, as empresas do grupo Folha e Globo deram a devida importância ao imbróglio no qual a atriz se meteu. Dos telejornais, somente o "Jornal da Globo" de quinta-feira é que noticiou, talvez por ter como âncora William Waack, com mestrado em Relações Internacionais e por ter sido correspondente no Oriente Médio.
Nos jornais, revistas e internet, todos os grandes grupos de mídia no Brasil deram importância inicial somente ao acordo comercial e valores do comercial no intervalo do SuperBowl LVVIII. Nenhum canal de comunicação deu importância aos desdobramentos do acordo comercial de uma celebridade (ainda que eu discorde do termo) com uma empresa israelense que tem sua unidade fabril em assentamento ilegal em território palestino.
Somente nos dois últimos dias os canais de mídia deram a ressonância ao noticiário internacional sobre o caso. Tanto o boicote sobre as empresas israelenses como a SodaStream, assim como as críticas recebidas pela empresa e a atriz por Ongs humanitárias como a OXFAM só surgiram agora no noticiário.
O rompimento da relação que existia entre a OXFAM e a atriz, que era sua embaixadora, pode parecer de menor importância, assim como o envolvimento comercial de uma atriz famosa com uma empresa que sofre boicote.
Mas o que na verdade há é uma menor capacidade de crítica e de análise da mídia nacional frente ao noticiário internacional e seus desdobramentos. Quando a imprensa internacional tece comentários e análises rapidamente sobre notícias no Brasil, a imprensa nacional parece sentir-se traída. O que a imprensa nacional queria é que a imprensa internacional fosse tão reticente e lenta em suas análises quanto ela. Ainda bem que temos a internet para nos livrar dessa morosidade.
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