terça-feira, 22 de julho de 2014

Valor das vidas palestinas




Desde o início da ação israelense em Gaza, incluindo a sua incursão terrestre, o número de mortos do lado palestino passa de 500 (sendo que destes menos de 20% são integrantes dos Hamas). Não há discriminação quanto aos alvos. Mulheres, crianças, idosos e homens são atingidos em qualquer situação e de qualquer forma. De acordo com a UNICEF, o número de crianças mortas passa de 120 até o dia 21 de julho, sendo que uma em cada três crianças mortas tem menos de 12 anos.

Uma família inteira em casa, quatro meninos numa praia jogando futebol, uma ala de hospital em Gaza, homens na rua procurando sua família. Todos são alvos como se fossem alvos móveis ou fixos, dependendo somente da vontade de quem atira ou lança seu míssil. Não importa a situação, mas somente os números a serem atingidos. Os palestinos são tratados como números de uma tabela mortal, na qual são somados suas lágrimas e seu sangue, escondidos da grande imprensa mundial.

Além dos mortos, há um número muito maior de feridos passa de 3.700, entre essas mais de 900 crianças, sem contar os que necessitarão de tratamento psicológico. Segundo o porta-voz da ONU em Genebra, Jens Laerke, não há nenhum lugar seguro para civis em Gaza. Há mais de 100 mil pessoas refugiadas em 69 escolas gerenciadas pela Agência das Nações Unidas aos Palestinos (UNRWA).

O tratamento que Israel dá aos palestinos pode ser percebido em declarações das autoridades, assim como membros da sociedade israelense. Dov Lior, um rabino israelense racista do assentamento de Kiryat Arba, na Cisjordânia, recentemente postou uma decisão permitindo matar civis inocentes, após ser questionado sobre a "guerra" em Gaza: "A Torá de Israel nos guia em todas as esferas da vida, públicas e privadas, sobre como se comportar .(...) Durante a guerra dos povos atacados estão autorizados a punir a população inimiga com qualquer punição digna, como negar suprimentos ou eletricidade e também para bombardear toda a área (...)" Além de defender que é aceitável  "(...) tomar medidas de esmagamento de dissuasão para exterminar o inimigo. No caso de Gaza, ao ministro da Defesa, será permitido para instruir até mesmo a destruição de Gaza".

A justificativa israelense para tantos mortos civis é de que os palestinos são usados como escudo pelo Hamas, mas entre os alvos dos ataques israelenses estão casas com famílias inteiras, hospitais, assim como ocorreu com a Mesquita al-Farouq, que foi deixada de pé apenas um minarete, uma casa para deficientes em em Beit Lahiya, onde morreram dois moradores com deficiência e ferindo outros quatro. Jamilla Alaiwa, assistente social que fundou a casa em 1990, afirma que não havia ligação com paramilitares: "Não estamos envolvidos na política e não há nada lá que justifique esta ação por parte dos israelenses. Todos nós sabemos que eles não precisam de qualquer motivo para fazer coisas como esta" (Fonte: The Independent, 13/07/2014).

O valor da vida de centenas de palestinos não é mensurada, em comparação a um soldado israelense. Para muitos da sociedade israelense, a morte de mais de duas dezenas de soldados durante a ação terrestre é aceitável "se a missão (de extermínio) for cumprida". Mas as mortes de centenas de civis palestinos não são dignas de comentário. Ainda bem que há pessoas, não necessariamente da esquerda em Israel, que já não suportam carregar a dor da morte dos seus em função da ação militar de Israel. Só querem um basta na guerra.

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