quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O verde apagar da História.


Biria Forest. Photo: Avi Hirshfield, KKL-JNF Jerusalem.

Quando vemos uma floresta pensamos nas vantagens de se manter um espaço assim. São locais apropriados para passeios, práticas de atividades esportivas, visitas guiadas, além de servirem para a preservação da flora e fauna original da região e dos mananciais, apesar de algumas nem mais terem  unicamente espécies da fauna local, como acontece com a Floresta da Tijuca na cidade do Rio de Janeiro. 

Em Israel há muitos parques nacionais, todos criados após a independência e mantidos por uma entidade -JNF (Jewish National Fund), que administra os parques e o plantio de regiões do país com espécies que não são originárias da região. Pode parecer de menor impacto este plantio, mas a implantação de parques e o plantio de árvores segue um critério e um objetivo claro de ocupação do espaço das antigas vilas e cidades palestinas desocupadas durante a guerra árabe-israelense de 1948-49.

Criada em 1901, a JNF, com objetivo de aquisição de terras durante o final do Império Otomano, foi mais do que uma instituição de caridade e se tornou a "guardiã da terra pra o povo judeu" e a dministradora das terras não-urbanas em Israel. Serviu par a criação de um território estritamente judaico através da plantação de coníferas e outras espécies não originárias da região. Ajudou a criar a idéia de que os judeus levaram recuperaram a "terra seca" da Palestina, criando vastos bosques e parques. Com o plantio de mais de dois milhões e quatrocentas árvores, a JNF não tem somente o objetivo ecológico, mas de ajudar a apagar a presença árabe na Palestina.

O objetivo da JNF era criar um país verde, judeu e europeu, diferentes das características da paisagem local. Para isso foram usadas espécies originárias da Europa e América do Norte, reforçando a idéia de uma palestina árida e vazia antes da chegada dos colonos judeus.

Além de plantar árvores, criando um cinturão verde entorno das antigas vilas palestinas, a JNF proíbe a visita de palestinos aos locais das antigas vilas. Esta ocultação da presença palestina é mostrada no filme "Facing the forest" (2001), do diretor judeu-alemão Peter Lilienthal, baseado no livro do autor israelense Abraham B. Yeoshua, que fala do trabalho de um rapaz israelense, Noach, que exerce a função de guarda florestal num parque, e que passa a conviver com um senhor palestino, Abdul Karim, e sua filha, Nahida.

O ponto de virada da história se dá quando ocorre um incêndio do qual Karim é acusado pelas autoridades de ter provocado, enquanto Noach é demitido. Mas o incêndio revela a existência de uma vila encoberta pelas árvores. Além da discussão acerca do projeto judeu-sionista de expulsão da população palestina das vilas, o diretor discute o projeto de recriação de um ambiente totalmente novo por parte das autoridades israelenses, distanciando-a de uma Palestina com presença árabe.

A presença palestina pode ser contestada pela historiografia "oficial" israelense, ou tentarem apagar através do plantio de árvores e criação de parques, mas não deixa de suscitar trabalhos a seu respeito tanto por representantes da nova  historiografia israelense quanto da literatura e do cinema.

Um comentário:

  1. Muito bom André! Sua monografia deve está muito bem escrita. Parabéns!!!

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